A atualização da NR-1 trouxe mudanças significativas para a gestão de saúde e segurança do trabalho, com destaque para a obrigatoriedade de identificar e tratar riscos psicossociais. Entenda o que mudou e o que sua empresa precisa fazer.
O que é a NR-1 e por que ela mudou
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece as disposições gerais e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) para todas as empresas no Brasil. Em sua atualização recente, a norma passou a exigir explicitamente o reconhecimento, avaliação e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Essa mudança alinha o Brasil às práticas internacionais de saúde ocupacional e reflete um reconhecimento formal de que o sofrimento mental no trabalho não é uma questão individual, mas um risco organizacional mensurável.
Principais mudanças para 2026
A nova redação da NR-1 reorganiza as obrigações em torno de quatro eixos:
- Inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no inventário de riscos do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
- Documentação formal das medidas de prevenção, com indicadores mensuráveis e revisão periódica.
- Capacitação de lideranças para identificar fatores de risco psicossocial na operação.
- Integração entre SESMT, RH e gestores na construção e execução do plano de ação.
Quem precisa se adequar
Todas as empresas privadas e públicas que admitem trabalhadores como empregados estão sujeitas à NR-1. O grau de detalhamento exigido varia conforme o porte e o grau de risco da atividade, mas a obrigação de tratar riscos psicossociais aplica-se a todas, inclusive PMEs.
Como adequar sua empresa na prática
O caminho de adequação segue uma sequência clara, sustentada em evidência técnica:
- Diagnóstico inicial: mapeamento dos fatores de risco psicossocial presentes na operação.
- Inventário de riscos: documentação formal no PGR, com classificação de severidade e exposição.
- Plano de ação: intervenções organizacionais e individuais baseadas em neurociência aplicada.
- Monitoramento: indicadores de afastamento, turnover e clima revisados periodicamente.
- Capacitação: lideranças e equipes preparadas para sustentar as mudanças no longo prazo.
Consequências da não conformidade
A ausência de adequação expõe a empresa a autuações da fiscalização do trabalho, ações trabalhistas por danos morais e à responsabilização civil em casos de adoecimento mental relacionado ao trabalho. Além do passivo jurídico, o custo invisível, absenteísmo, presenteísmo e perda de produtividade, costuma ser ainda maior.
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